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Hercílio Matos, coordenador do Programa Mais Alimentos, fala em entrevista ao Jornal Agrobrasília sobre a importância desta linha de crédito para a agricultura do Brasil e da Agrobrasília como ponto de convergência.
Qual a importância de se investir no pequeno produtor rural?
A razão desse investimento é muito simples: 70% do que o brasileiro come todos os dias vêm da agricultura familiar, nos termos da Lei 11.326/2006. Isso significa que 89% da mandioca, 56% do leite, 67% do feijão, 46% do arroz, vêm da agricultura familiar. Então, investir no pequeno significa assegurar a soberania alimentar e nutricional do povo brasileiro.
Como o Programa Mais Alimentos tem contribuído para o desenvolvimento da agricultura brasileira?
Considerando que o programa Mais Alimentos está focado na modernização da agricultura familiar, significa dizer que injetar recursos nessa base produtiva que tem como foco o mercado local garante também o abastecimento interno, fomentando assim o desenvolvimento local com o efeito multiplicador de renda. Mas não é só isso. Fomenta também o desenvolvimento tecnológico do país na medida em que se desenvolvem produtos industriais para atender os interesses e necessidades da agricultura familiar em escala. A consequência disso é a realização de um desenvolvimento com mais equilíbrio social. E, com base nisso, temos os valores mais divididos entre as diferentes camadas sociais. Então, o Mais Alimentos é uma oportunidade interessante porque conjuga uma série de interesses de políticas públicas que convergem para um bem comum que é garantir a cidadania alimentar nacional.
Além da linha de crédito, o Mais Alimentos prevê assistência técnica. Qual a importância da assistência com relação à sustentabilidade rural?
O Mais Alimentos vai além da linha de crédito. É também assistência técnica integral ao agricultor familiar e é a comercialização dessa produção. Criamos mecanismos que asseguram ao agricultor pagar o crédito, como por exemplo, o mecanismo de seguro contra oscilação de preços do mercado, contra intempéries, entre outros. O Mais Alimentos é uma política pública que transita transversalmente, dialogando com diversas políticas governamentais, inclusive a valorização do homem no campo, assegurando renda para ter melhores condições de vida e que a família fique onde está. Com relação à sustentabilidade, hoje não se avança em nada sem informação. É preciso que a gente mantenha permanentemente esse serviço de assistência técnica para suprir a especificidade que é a agricultura familiar. Precisamos dessa especificidade porque o agricultor familiar, entre outras características, tem uma diversidade de produção. O agricultor familiar não planta só milho, ou só feijão, como é natural dos grandes produtores. Assim, eles precisam de uma assistência técnica diferenciada e isso é dado, no caso do DF, por meio da Emater.
Quais são as oportunidades de negócios que a Agrobrasília proporciona para o programa?
A Agrobrasília, em que pese a sua pouca idade, tem se mostrado como uma Feira tecnológica diferenciada e especialmente com relação à agricultura familiar. Estamos com o Espaço de Valorização da Agricultura Familiar, que demonstra toda prioridade de demanda voltada para esse tipo de produtor. A Feira é uma grande vitrine tecnológica para os agricultores, técnicos, empresas e sociedade como um todo, não só do DF e Entorno, como também de Goiás, oeste da Bahia, noroeste de Minas, ou seja, regiões polarizadas pela Agrobrasília. Uma oportunidade ímpar para que as empresas venham para este espaço a fim de demonstrarem os seus produtos e com isso buscar negócios e, principalmente, oferecer e demonstrar aos agricultores familiares alternativas tecnológicas de que eles dispõem no parque industrial brasileiro.
O que o Mais Alimentos vai levar para a Agrobrasília este ano?
Levaremos, em princípio, o pavilhão do Mais Alimentos com equipamentos agrícolas das indústrias vinculadas ao Programa. Outras ações ainda estão sendo definidas.
Por Daniela Lima
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